ALUMBRAMENTO
ALUMBRAMENTO Naquele canto do mundo A vida transborda em agouros Homens e crianças se ajuntam Num só corpo feito retalhos cerzidos Chão de terra batida As estradas carregam as vidas Por trás dos montes há sonhos Olhares perplexos tristonhos A vida não lhes sucedeu Nada além da vida aconteceu Num canto a criança chora Um outro a mãe o consola Meninos jogando bola Pés no chão, sem calçados e sola Pano de saco é calçola Camisas rasgadas, barriga de fora A vida é o reflexo da simplicidade Grotão distante da cidade Fim de mundo e suas amenidades Zé, mané, Chicão, aqui não faltam identidade A noite é iluminada pelas estrelas Lua cheia parece holofote quando clareia Galo cantando no terreiro Sarilho de poço o agueiro Terraço vermelho é piseiro Quintal sem cerca não há matreiro Tudo tão simples e verdadeiro As horas fazem das vidas um passageiro Hoje ou amanhã, ali são iguais Sem ganancia ou ambição tudo é tão normal Alumbramento, o que foi não tem volta Olho ao meu re...