ALUMBRAMENTO

ALUMBRAMENTO


Naquele canto do mundo
A vida transborda em agouros
Homens e crianças se ajuntam
Num só corpo feito retalhos cerzidos
Chão de terra batida
As estradas carregam as vidas 
Por trás dos montes há  sonhos 
Olhares perplexos tristonhos 
A vida não lhes sucedeu
Nada além da vida aconteceu 
Num canto a criança chora 
Um outro a mãe o consola 
Meninos jogando bola
Pés no chão, sem calçados e sola
Pano de saco é calçola 
Camisas rasgadas, barriga de fora 
A vida é o reflexo da simplicidade 
Grotão distante da cidade 
Fim de mundo e  suas amenidades 
Zé, mané, Chicão, aqui não faltam identidade 
A noite é iluminada pelas estrelas
Lua cheia  parece  holofote quando clareia
Galo cantando no terreiro 
Sarilho de poço o agueiro
Terraço  vermelho é  piseiro
Quintal sem cerca não há matreiro 
Tudo tão simples e verdadeiro 
As horas fazem das vidas um passageiro
Hoje ou amanhã, ali são iguais
Sem ganancia ou ambição tudo é tão  normal 
Alumbramento, o que foi não tem volta 
Olho  ao meu redor, concreto armado
Por todos os lados grades de proteção 
Na calçada corpos estendidos ao relento
Cidade grande  vidas expostas ao vento 
Valha-me  Deus é o fim da santidade 
O Homem simples perdendo a identidade
Sem amigos que se importe 
Entregue a sua própria sorte
Sem chão, sem rumo, a espera da morte. 

Poema escrito pelo Profº Rosalvo Silva Filho

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A TUA BELEZA

REFLEXO DO TEU ESPELHO

TÃO SÓ

ASCENDÊNCIA

PALAVRAS

CONTA GOTAS

CÉU DE OUTONO

SER

DEVAGAR

EU SOU, EU ESTOU